Comecemos por analisar as seguintes figuras:
Analisando-se cada uma delas constata-se que são formadas por nove números inteiros consecutivos, iniciando a da esquerda no 1, a do meio no 2 e a da direita no 3. Adicionando-se os três valores de cada linha, cada coluna e cada diagonal, a soma é sempre a mesma em cada figura: na da esquerda há uma soma mágica de 15, na do meio a soma mágica é 18 e na da direita a soma mágica é 21.
Existe, pois, um padrão numérico que relaciona as várias somas mágicas que se vão obtendo, a partir do menor número de cada sequência numérica utilizada. De facto, para o início em 1, a soma é 15; para o início em 2, a soma é 15 + 1 x 3; para o início em 3, a soma mágica é 15 + 2 x 3 e assim sucessivamente.
Seria interessante, em contexto de sala de aula de matemática, que os alunos fossem incentivados a investigar esta e outras regularidades existentes nestas mágicas figuras, chegando mesmo à lei geral que permite identificar ou prever uma qualquer soma mágica (s) a partir de um qualquer número inteiro (n) que inicie uma sequência de nove números inteiros consecutivos. Essa lei seria a seguinte s = 15 + (n - 1) x 3.
Observando com atenção as três figuras acima, facilmente se constata que a disposição do valor ordinal de cada um dos nove números obedece a uma mesma distribuição geométrica que é a seguinte:
Ora, tendo em conta esta mesma disposição geométrica, analisemos agora a seguinte figura. será um quadrado mágico?:
Obviamente que salta à vista não tratar-se de uma quadrado de soma mágica, pois os valores são muito díspares; não são consecutivos. Contudo se em vez de os adicionarmos em linha, em coluna ou em diagonal, os multiplicarmos, teremos uma bela surpresa.
De facto:
2 x 256 x 8 = 4096
64 x 16 x 4 = 4096
32 + 1 x 128 = 4096
2 x 64 x 32 = 4096
256 x 16 x 1 = 4096
8 x 4 x 128 = 4096
2 x 16 x 128 = 4096
8 x 16 x 32 = 4096
O produto mágico é, pois, 4096. Analisando os nove números em causa verifica-se serem as primeiras nove potências de base 2. Vejamos:
Em sala de aula, e dependendo do tipo de alunos, poder-se-ia introduzir a regra da multiplicação de potências com a mesma base e expoentes diferentes (mantém-se a base e adicionam-se os expoentes). De facto:
21 x 28 x 23 = 212
26 x 24 x 22 = 212
25 x 20 x 27 = 212
21 x 26 x 25 = 212
28 x 24 x 20 = 212
23 x 22 x 27 = 212
21 x 24 x 27 = 212
23 x 24 x 25 = 212
Passemos agora às potências de base 3. Eis a figura com as nove primeiras potências de base 3:
Note-se que esta figura obedece ao mesmo padrão multiplicativo anterior:
31 x38 x 33 = 312
36 x 34 x 32 = 312
35 x 30 x 37 = 312
31 x 36 x 35 = 312
38 x 34 x 30 = 312
33 x 32 x 37 = 312
31 x 34 x 37 = 312
33 x 34 x 35 = 312
Com os respectivos valores das potências, o aspecto da figura será o seguinte:
Calculemos, pois, o respectivo produto mágico:
3 x 6561 x 27 =531441
729 x 81 x 9 = 531441
243 x 1 x 2187 = 531441
3 x 729 x 243 = 531441
6561 x 81 x 1 = 531441
27 x 9 x 2187 = 531441
3 x 81 x 2187 = 531441
27 x 81 x 243 = 531441
Analisemos, ainda as nove primeiras potências de base 4:
Neste caso volta a haver um produto mágico, de valor 412, isto é 16777216.
Como exploração extra poder-se-ia substituir a base destas potências pelo quadrado de dois, o que daria a seguinte nova figura:
Tirando partido desta substituição, poder-se-ia introduzir ou rever o conceito de potência de uma potência, destacando a regra operativa de manter a base e multiplicar os expoentes. Eis como figura a figura mágica:
Logo, o produto mágico 412 será equivalente ao valor da potência 224.